Caroline Bergeron

Bélgica

A Criatura

CAMa –Centro de Artes da Marioneta
29 e 30 de Maio às 21h e 23h

IDEIA, ENCENAÇÃO, CONSTRUÇÃO E MANIPULAÇÃO Caroline Bergeron
TÉCNICA Mista
PÚBLICO-ALVO M/12
DURAÇÃO Aprox. 15 min.
IDIOMA Sem palavras
Várias sessões
Lotação limitada: um espectador p/ sessão


Ela está ao fundo do corredor, numa casa de banho com paredes despedaçadas, como uma imagem de Bilal.
Ela toma banho no lavatório, é o seu domínio...
Ela é grande como um braço, doce como uma mulher.
Pode ser que tenha a sorte de a visitar numa audiência privada...
Ela recebe nos seus aposentos... Ela é uma Rainha.
O que é que Ela vos dará?
O que é que você lhe dará?
O pequeno momento que partilhará com Ela será único e permanecerá secreto...

... “Créature”... Desde o início que é distinta. Especial... Pode provocar gargalhadas, ou não, mas de certeza que arranca sempre um sorriso de cumplicidade, ternura, rubor ou inquietude. O seu anúncio já é atractivo: “Espectáculo para um espectador”... Revelar o que acontece no seu interior é privar futuros espectadores do direito de se surpreenderem, de procurarem as suas próprias percepções, de expressarem a sua sensibilidade no frente-a-frente com a actriz belga. “Créature” fala de segredos pessoais, quem sabe inconfessáveis, pelo que é inútil tentar aqui descrevê-los. Assim, cada pessoa que entra, sai com o seu segredo guardado em algum lugar da memória, único, intransferível até ao final dos seus dias. No final também fica um odor... O seu interior, surrealista, onírico, silencioso, está habitado por um ser estranho, inesperado, mudo... Entrar no território da Criatura implica formular uma série de questões, o que fazer, porque não o fazer, como, qual será a reacção. O espectador pode deixar-se levar pela intuição, ou não, ou pelo desejo... Pensar na ternura ou no erotismo... Tudo para acabar seduzido ou seduzida por esta estranha obra em que ninguém actua, ainda que queira. - Maria Fabra, El País

Caroline Bergeron, “fabricante de espectáculos e portuguesa principiante”, foi co-directora artística do Tof Théâtre durante dez anos e directora da companhia “Le Luxe” durante três anos. Trabalhou algumas vezes com Madalena Victorino no Centro Cultural de Belém, nomeadamente no âmbito do espectáculo “Duelo” que foi co-produzido pela mesma instituição. Desenvolveu diversos projectos, como “Le Petit Bazar Erotic”, para o qual criou “A Criatura”, que se revelou “uma experiência emocional, uma terapia, em certos casos. Fiquei transtornada pela experiência, e resolvi pesquisar nesta direcção”. Participou também no Festival Percursos e começou a desenvolver e a escrever o projecto “Sereias”, uma civilização de sereias tão perfeita que as sereias estavam à morrer de tédio… “Um projecto que me fez perceber, pela minha necessidade de inventar uma civilização, que eu não estava nada satisfeita com a nossa… E que me levou a reflectir sobre o meu papel como artista…”. Começou este ano a “inventar um espectáculo-experiência: chama-se “Olha para ti”. Um espectáculo engraçado e terno sobre a vida antes do nascimento. Como podem ver, já estou a tentar apanhar o mundo pelas raízes… Para concluir… Ouvi um colega meu dizer que no teatro gostava de ser tratado como as crianças são tratadas (em princípio) pelo pediatra: devagar e com respeito. Afinal é isso que quero fazer: cuidar de um público de todas as idades com todo o respeito, a delicadeza e a sensibilidade que se devem às crianças”.